21 de junho de 2011

Nova prisão do ''companheiro''


Editorial do Estadão

Quem conhece sua história não foi surpreendido pela notícia da nova prisão do líder sem-terra José Rainha, em operação deflagrada pela Polícia Federal para deter também outros nove suspeitos de integrar uma quadrilha formada para desviar dinheiro público. Rainha é velho conhecido da Polícia, e ele mesmo conhece bem diferentes estabelecimentos prisionais, pois os tem visitado com certa regularidade há muito tempo. O que causou estranheza nesse episódio foi a crítica de um ministro de Estado - no caso, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho - à ação policial, por considerar que ela "tumultua" o processo da reforma agrária.

O retorno de Rainha à prisão é consequência da Operação Desfalque, conduzida pela Polícia Federal para apurar o desvio de recursos do governo destinados a assentamentos na região do Pontal do Paranapanema, no oeste do Estado de São Paulo, área em que o detido atua. Expulso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Rainha está à frente do que ele denominou MST de Base.

A investigação começou a partir de relatos dos próprios assentados do Pontal do Paranapanema, que, em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público, disseram não aguentar mais "ser espoliados e controlados pela organização criminosa", liderada por Rainha, como afirma a denúncia. Em abril, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público contra ele e outras pessoas, por desvio de dinheiro que era repassado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para as entidades criadas pelos assentados. 

O que há de novo nessa prisão temporária de Rainha é o motivo. Esta é a primeira vez que ele é suspeito de desvio de dinheiro público.

Rainha já foi acusado de outros crimes. Em 1997, por exemplo, foi a julgamento pela participação no assassinato de um fazendeiro e de um policial militar em Pedro Canário, no Espírito Santo. Condenado a 26 anos de prisão, recorreu e foi absolvido. Em 2002, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma no município de Euclides da Cunha, no Pontal do Paranapanema. Nos anos seguintes, até 2006, foi preso mais três vezes no Pontal, sob acusações variadas, como formação de quadrilha, incitação à violência, incêndio e furto.

É surpreendente que, tendo Rainha essa folha corrida, o ministro Gilberto Carvalho tenha se declarado "extremamente preocupado" com a prisão, que, no seu entender, tumultua o processo de reforma agrária e o relacionamento do governo com os movimentos sociais. Em nota divulgada após a publicação dessas declarações, Carvalho esclareceu que "em nenhum momento pretendi imiscuir-me no processo de investigação que levou às prisões" e observou que a lei assegura aos acusados o direito de defesa "e os preserva de condenações açodadas, antes do devido processo legal".

É uma observação desnecessária, pois não houve nem há nenhuma indicação de que, no caso da nova prisão de José Rainha, seus direitos não estejam sendo assegurados. 

Com suas declarações, Carvalho não deixa nenhuma dúvida de que, também no que se refere a Rainha, sua posição é idêntica à de seu chefe Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2005, em pleno exercício de seu primeiro mandato presidencial, Lula fez uma clara homenagem a José Rainha, a quem trata familiarmente por Zé, mesmo tendo o líder rural já sido acusado, julgado, condenado e depois inocentado por participação em assassinatos e preso outras vezes sob diferentes acusações.

Para Lula, Rainha "é perseguido, de vez em quando preso", mas, acima de tudo, é "companheiro de primeira hora", "companheiro que conheço há muitos anos, há muitos e muitos anos". Na ocasião, Lula disse que, "quando eu deixar de ser presidente, muitos que hoje são meus companheiros não serão mais, mas você (dirigindo-se a Rainha) continuará sendo meu companheiro".

Além dos riscos à segurança pública que o levaram à prisão em outras ocasiões, agora o "companheiro" Rainha é preso por representar risco às finanças públicas.

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18 de junho de 2011

Movimento de cabos gera energia eólica

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  Crédito: Ashley Jouhar/Getty Images
Engenheiros estruturais sabem que um pouco de vento pode trazer consequências dramáticas a pontes e edifícios altos. Um efeito bem conhecido faz com que os cabos suspensos das pontes oscilem para cima e para baixo. Este fenômeno é observável mesmo em condições de pouco vento, e ocorre quando um cabo cilíndrico distorce o caminho do vento, “erguendo” outro cabo atrás dele. O cabo de guerra entre a ação de elevação do vento e as forças descendentes do peso do cabo criam o chamado “galope”.
Uma equipe de cientistas do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia pretende aproveitar o movimento dos cabos para gerar energia. A ideia é construir dispositivos que captem o efeito de forma controlada. Para isso, criaram um cilindro oscilatório preso a um ímã, que gera uma corrente enquanto os cabos se movem para cima e para baixo.
Segundo a revista New Scientist, um dispositivo de 85 por 5 centímetros foi testado em “velocidades do vento entre 2,5 e 4,5 metros por segundo, quando as tradicionais turbinas eólicas são ineficientes, gerando quase meio watt de energia elétrica”.
A menos que grandes áreas sejam cobertas por tais dispositivos, será difícil gerar uma grande quantidade de eletricidade utilizável, mas a equipe está trabalhando para determinar o tamanho mais favorável dos aparelhos de forma a maximizar a saída de energia. Hyung-Jo Jung, um dos cientistas que trabalha no projeto, destaca que a tecnologia possui algumas aplicações bastante promissoras, como sensores usados para monitorar a saúde estrutural de edifícios. Em vez se conectarem a redes de energia ou usarem sistemas baseados em baterias, os sensores poderiam ser totalmente alimentados por ventos de baixa intensidade.

Palocci, o herói

DANUZA LEÃO, FOLHA DE S.PAULO

Foi estarrecedor, na sua despedida, vê-lo aplaudido de pé como um herói. Eu não entendo mais nada

DÁ PARA ENTENDER, claro, e até para justificar: já que como ministro empossado da Casa Civil, Palocci, que conhece todas as leis apesar de não ser advogado, não poderia mais dar consultorias, foi obrigado a fazer tudo muito rápido, para que no dia da posse já tivesse seu futuro garantido, mas tudo bem. Com R$ 20 milhões, dá para relaxar e viver bem o resto da vida.
Depois dos quatro meses de quarentena, poderá voltar a trabalhar no mesmo ramo, com o mesmo sucesso, pois continua amigo de todos os que deixou no governo, que poderão lhe passar excelentes informações. Foi estarrecedor, na hora da despedida, ver Palocci aplaudido de pé como um herói. Eu não entendo mais nada.
Cheguei a ter uma certa esperança na presidente Dilma; não era ela a durona, cheia de personalidade? Pois foi preciso Lula ir a Brasilia para resolver o nó Palocci. Dizem que ela não gostou, e depois disso Lula parece ter sossegado, se é que Lula sossega, mas os dois continuam se falando muito no telefone.
Dilma só foi candidata porque todos os possíveis candidatos à Presidência são réus no processo do mensalão.
Como dizem que o Brasil não tem memória, vale lembrar os homens de ouro da total confiança de Lula, que caíram -e mal: o então poderosíssimo José Dirceu, Delúbio, o ex-presidente do PT Genoino, seu irmão -o deputado José Nobre Guimarães-, seu assessor (o dos dólares na cueca), Gushiken, o próprio Palocci, que já tinha ficado mal na foto em Ribeirão Preto, foi ministro da Fazenda, caiu, voltou como ministro da Casa Civil, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, Professor Luizinho, Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT; são 40, mas como não dá para citar todos, ficamos com as estrelas do partido. Todos, absolutamente todos, escolha pessoal de Lula; nenhum, absolutamente nenhum, foi preso, e na última semana de agosto, o crime -formação de quadrilha-, prescreve. Quando ouço falar no PT, me arrepio.
De repente, a surpresa: sai Palocci, entra Gleisi. Será que Lula deixou Dilma escolher sozinha?
Não dá para falar rigorosamente nada de Gleisi, a não ser que ela até sorri, coisa que não acontece com nenhum petista; vamos esperar e ver. Será que ela é mais um dos escolhidos para conquistar a classe média? Ela tem tudo para isso: loirinha, olhos claros, dois filhos que ela leva à escola todos os dias, bonita, simpática, já quis ser freira, citou dois poetas em seu discurso de despedida e tem um projeto de lei dando aposentadoria às donas de casa. Um perfil perfeito para conquistar o eleitorado feminino.
Eu já acreditei em Lula, e até já votei nele, quando o outro candidato era Collor. Eu já acreditei em Dilma; não votei nela, mas dei um voto de confiança, que aliás foi retirado, depois que vi Erenice em sua posse; só por simpatia - e porque preciso ter esperança em alguém - ia dar um votinho de confiança a Gleisi, mas depois de vê-la citar Collor no discurso de despedida do Senado, fiquei na minha. Desejo felicidades a todos, e espero que Lula faça muitas palestras, ganhe muito dinheiro, e não pise nunca mais em Brasília.
Observação 1 - na despedida de Gleisi no Senado, Marta Suplicy estava de dar pena, tal o ódio que não conseguia disfarçar; por que, não sei. Mas ela espumava, praticamente.
Observação 2 - Gleisi é a única petista do governo que usa saia.



Retirado de : 
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10 de junho de 2011

Como a radiação nuclear afeta as futuras gerações

Nuclear 
Crédito: Hemera/Thinsktock
Depois de serem expostas à radiação, mulheres podem gerar mais meninos que meninas, sugere um novo estudo.
O estudo documentou um aumento localizado na proporção de meninos e meninas nascidos depois do desastre de Chernobyl e tendências similares, relacionadas à dispersão tardia de partículas provenientes de testes nucleares realizados nas décadas de 1960 e 1970. Os pesquisadores também descobriram um número pequeno, mas ainda desproporcional, de nascimentos de meninos perto de instalações nucleares na Alemanha e Suíça.
Ainda não se sabe se a radiação interfere no esperma do pai, no corpo da mãe antes da gravidez ou no desenvolvimento do embrião. Mas como a alteração na proporção sexual pode indicar outros problemas de saúde, o estudo levanta um novo tipo de inquietações diante de eventos como orecente desastre nuclear no Japão.
"Segundo o dogma vigente, esse efeito não seria possível ou não existiria nenhum outro do gênero”, afirmou o Dr.Hagen Scherb, biosestatístico do centro de pesquisas Helmholtz Zentrum München de Munique, na Alemanha. "Agora, podemos demonstrar de forma clara que existe um efeito. E isso muda nossa percepção dos riscos da radiação”.
Alguns dos primeiros indícios que ligavam a radiação à alteração na proporção sexual entre bebês surgiram depois que das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki em 1945, apesar de os dados não serem suficientemente convincentes.
Testes posteriores com bombas e estudos com animais relacionaram a exposição à radiação a um aumento dos nascimentos prematuros e defeitos congênitos. No entanto, durante anos os registros de dados sobre nascimentos foram ignorados, à espera de análises mais aprofundadas.
Utilizando registros oficiais e abertos ao público, Scherb e sua colega, Kristina Voigt, descobriram que a proporção de nascimentos entre homens e mulheres no leste e no centro da Europa havia declinado ligeiramente nas décadas seguintes ao desastre de Chernobyl, em 1986.
Mas em 1987, segundo relataram no periódico Environmental Science and Pollution Research, houve um pico súbito de nascimentos de meninos em relação aos de meninas nesses países.
A tendência continuou em alta durante anos e só se estabilizou por volta de 2000. Nos Estados Unidos e em outros lugares, as proporções sexuais continuaram a diminuir por diversos motivos, sem sinais de ocorrências de pico até meados da década de 1980.
Em geral, a alteração foi insignificante – da ordem de menos de meio por cento -,  variando entre 1,045 e 1,06 meninos nascidos para cada menina, dependendo do local e da data da análise.
Mas ao se aplicar esses dados à população inteira, calcula-se que 440 mil meninas deixaram de nascer como resultado da explosão de Chernobyl, afirmou Scherb. Os pesquisadores suspeitam que a tendência indica uma perda desproporcional de gestações femininas como resultado da exposição à radiação.
Tanto na Europa como nos Estados Unidos, o estudo também descobriu oscilações nas proporções sexuais, que refletiam a frequência de testes com bombas atômicas. Esses ecos demonstraram uma defasagem de vários anos que, segundo os pesquisadores, correspondia à dispersão tardia de partículas radioativas na atmosfera.
Como última evidência, os pesquisadores documentaram um ligeiro aumento do número de nascimentos de meninos perto de instalações nucleares na Alemanha e na Suíça, nos períodos em que as unidades estavam em funcionamento.
O estudo oferece "provas de que o nível baixo de radiação, cujos efeitos ninguém deseja, de fato produz um efeito”, garante Scherb. "E esse efeito é bastante significativo em números absolutos”.
Já foi demonstrado que a radiação ionizante – o tipo de radiação emitida por bombas e usinas nucleares – altera o sexo de drosófilas e ratos, comenta Karl Sperling, do Instituto de Genética Humana da Universidade de Berlin. Ele suspeita de que a exposição à radiação possa afetar o DNA nas primeiras divisões celulares após a concepção, um período muito vulnerável.
Se a radiação pode influenciar as proporções sexuais dessa forma, pode haver motivos de preocupação em relação a outras exposições ambientais”, acrescentou.
"Há uma necessidade urgente de estudos epidemiológicos analíticos sobre outros perigos ambientais, que podem levar à revisão das diretrizes internacionais para a segurança radiológica”, conclui.

26 de maio de 2011

Computadores do futuro podem se basear no DNA

Adn 
Crédito: E.M. Pasieka/Science Photo Library/Corbis
Quarta, 25 de maio de 2011
Todos já ouvimos nosso cérebro ser comparado a um computador. Mas o professor Jian-Jun Shu e seus alunos da Universidade Técnica de Nanyang veem a comparação de forma bastante literal.
Shu e sua equipe da Escola de Engenharia Mecânica e Aeroespacial da universidade propuseram uma nova forma de usar filamentos de DNA em operações computacionais.
Seu artigo, denominado “Computação baseada em DNA para Designação Estratégica de Problemas”, foi publicado recentemente na revista Physical Review Letters.
Shu ressalta que o corpo humano executa naturalmente operações mais velozmente do que o mais rápido dos computadores feitos de silício.
"Não importa quão rápidos os computadores convencionais se tornarão”, afirma no artigo, “para solucionar tipos específicos de problemas, o computador mais rápido do mundo levaria meses e até anos para processar os cálculos. Isso se deve principalmente à natureza serial do processamento realizado por computadores à base de silício”.
Shu e seus alunos manipularam filamentos de DNA em tubos de ensaio. Eles descobriram que podiam fundir os filamentos, cortá-los e executar operações que afetariam a capacidade de armazenagem de informações do DNA.
 “A computação à base de silício ocorre em um sistema binário”, explicou Shu ao PhysOrg.com. “Mas na computação baseada no DNA, você terá mais do que uns e zeros. O DNA é formado por A, G, C, T, o que aumenta a variação. A computação baseada no DNA tem o potencial de lidar com dados indistintos e ir além dos dados digitais”.
Shu afirma que a computação baseada no DNA está nos estágios mais elementares e que é preciso realizar novas manipulações.

18 de maio de 2011

Proteção aos oceanos passa por ampliação das reservas marinhas

StockbyteThinkStock 
No ano passado, membros da Convenção Sobre Diversidade Biológica concordaram que "até 2020, ao menos 10% das áreas costeiras e marinhas, sobretudo as áreas de importância específica para abiodiversidade e serviços ligados aos ecossistemas, deveriam ser conservadas por meio de sistemas de áreas protegidas bem conectadas, ecologicamente representativas e gerenciadas equitativamente”.
O ritmo terá que aumentar um pouco se quisermos que esta meta seja cumprida. Atualmente, as áreas marinhas protegidas compreendem apenas 1,42% dos oceanos. Segundo Dan Laffoley, vice-presidente daComissão Mundial de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), ao ritmo atual de concessão de novas áreas marinhas protegidas, atingiremos os 10% somente 2047.
Além disso, a área biogeográfica coberta atualmente é bastante irregular, e a representação das áreas próximas à costa nesta colcha de retalhos é especialmente precária. Ainda assim, as notícias são boas, afirma Laffoley.
Durante sua conferência no segundo Congresso Internacional de Conservação Marinha (IMCC) em Victoria, Colúmbia Britânica, Laffoley destacou que a linha de progressão é crescente, sobretudo em decorrência da criação de várias reservas significativas: o Monumento Naiconal Marinho Papahānaumokuākea, no noroste das Ilhas Havaianas, fundado pelo Presidente George W. Bush em 2006; Sala y Gomez, que abrange uma área ao redor da Ilha de Páscoa, estabelecido pelo governo chileno em outubro passado, e a Reserva Marinha de Chagos, criada pela Grã Bretanha por decreto em abril de 2010, que compreende uma área enorme do Oceano Índico e a base militar de Diego Garcia.
As novas reservas também estão ficando maiores. Na época de sua criação, Papahānaumokuākea era a maior reserva contínua do mundo, mas foi superada por Chagos, que abrange uma área de 544 mil quilômetros quadrados e abriga um dos maiores e mais saudáveis atóis de coral do planeta. No entanto, Chagos pode estar prestes a perder a coroa, segundo Jay Nelson, do Projeto Global Ocean Legacy.
As Ilhas Kermadec, localizadas entre a Nova Zelânida e Tonga e lar de 11% das espécies de aves marinhas do mundo, assumiriam a dianteira se forem convertidas em reserva; o próximo da lista seria o Mar de Coral.
Isso é importante, porque se reservas e áreas protegidas regulares são altamente eficientes, as grandes são mais ainda. Segundo o Pew Group, por exemplo, "o tamanho médio das áreas marinhas protegidas é de 1,6 quilômetro quadrado. Seriam necessárias 20 milhões de áreas como esta para proteger 10% dos nossos oceanos”.
Por outro lado, reservas muito grandes oferecem proteção e abrigo para espécies migratórias, e seu tamanho as torna mais resistentes à poluiçãoe outras ameaças. A resistência dos recifes de Chargos ao descoramento que afetou os corais em todo o mundo no ano passado não deve ser mera coincidência.
Em termos de benefícios, investimento inicial e custos de manutenção, proteger grandes reservas marinhas também é mais vantajoso financeiramente, afirma Ashley McCrea Strub, da Universidade da Colúmbia Britânica, durante o IMCC. É simplesmente mais fácil e eficiente, por exemplo, vigiar uma grande reserva do que numerosas unidades menores.
"Não significa que devemos abrir mão de áreas de proteção pequenas”, disse McCrea Strub. "Alguns países não têm grandes Zonas Econômicas Exclusivas ou recursos para criar áreas protegidas”. Entretanto, uma ligeira mudança de foco permitirá que áreas marinhas bem maiores conquistem uma proteção mais eficiente e rápida .


13 de maio de 2011

Avião solar realiza primeiro voo internacional



Um avião experimental movido totalmente a energia solar realizou seu primeiro voo internacional nesta sexta-feira.
O aparelho chamado Solar Impulse (“Impulso Solar”, em inglês) saiu do aeroporto de Payerne, na Suíça, em direção a Bruxelas, na Bélgica.
A viagem de doze horas é um teste para a capacidade do Solar Impulse de fazer percursos usados por aviões comerciais.
No ano passado, a aeronave já bateu o recorde de maior tempo de voo obtido por um avião movido a energia solar, ficando no ar por 26 horas, 10 minutos e 19 segundos.
O Solar Impulse, que tem capacidade para apenas um tripulante, já realizou diversos voos dentro da Suíça - como entre os aeroportos de Genebra e Zurique, por exemplo.
BBC
Avião Solar Impulse decola do aeroporto de Payerne, na Suíça
"Pilotar uma aeronave como a Solar Impulse pelo espaço aéreo europeu e pousar em um aeroporto internacional é um desafio incrível para todos nós, e o sucesso disso depende do apoio das autoridades", diz o piloto e co-criador do avião, Andre Borschberg.
Em um prazo de até três anos, a equipe do Solar Impulse planeja realizar voos transatlânticos e completar uma volta ao mundo, sempre em missões tripuladas.

Retirado de : http://www.bbc.co.uk .

1 de maio de 2011

O herói de uma nação


1° de maio de 2011 .1 7 anos da perca de um dos poucos heróis brasileiros...

Para alguns jovens Ayrton pode não passar de um ex-piloto famoso, de um tricampeão, como Piquet e Lauda. Para os mais velhos, talvez, seja uma consequência do ótimo Emerson e do que o Brasil já havia construído no automobilismo. Para toda uma geração, que hoje tem cerca de 30 anos, este sujeito foi o ídolo maior de um país.
A morte mais dolorida de alguém que você sequer conheceu. O domingo mais triste da história de um país.
Aquele sujeito corajoso, ousado, com a postura de vencedor que contradiz o jeitão brasileiro de ser, deixava de erguer nossa bandeira aos domingos pro mundo todo aplaudir.
Era nosso orgulho, nosso filho mais querido.
Havia quem não gostasse, claro. Mas eram raros. Ainda são.
Ayrton ultrapassou o limite entre um ídolo do esporte e um ícone nacional. Era um exemplo ao brasileiro de que não eramos os “coitadinhos”, que nem sempre foi bem aproveitado.
Vencia na marra, perdia buscando seu limite. Errava, acertava, mas se bancava. O que prometia fazer, fazia. Não engolia qualquer ordem, não aceitava condições e foi buscar, através de talento e força de vontade um lugar de destaque dos mais dificeis já vistos na F-1.
Chegar lá e bater seu companheiro é pra muitos. Ganhar de um companheiro mais forte, pra poucos. Desbancar um campeão mundial como Alain Prost, ganhar a equipe e se tornar o principal piloto com ele do lado, não é pra qualquer um. E ele fez.
Talvez por ter existido Senna, cobrem tanto de Rubens e Massa. Talvez não. É óbvio que sim.
Jamais imaginariam do Ayrton uma atitude como a de deixar o companheiro passar na última curva e se fazer de vítima no pódio.  Ele não faria. Ganharia a corrida, seria demitido, brigaria com o mundo… mas coitadinho, jamais,
É o anti-brasileiro, paixão do povo que adora ser coitado, e que nunca aceitou esta condição.
Hoje faz 17 anos.
Comentarista, dono de equipe, manager do Bruno, empresário, presidente da república, técnico do Corinthians, comentarista da Globo, vendeder de maça na feira, sei lá o que ele estaria fazendo. Mas, estaria fazendo com brilhantismo.
Jamais aceitou a condição de “mais um”, muito menos a de derrotado. Perdia inconformado, e ao invés de apenas lamentar, buscava reverter.
E revertia.
Parou o mundo com sua morte. Fez jovens e senhores, juntos, sentarem na calçada chorando a perda de um desconhecido aqui no Brasil. Seu caixão passou para todos aplaudirem.  As empresas pararam, as pessoas sairam nas ruas e não teve um hipocrita pra dizer: “Onde já se viu? Pra que tudo isso?”. Hoje, pra qualquer outro, teria.
Para Senna, não teve. Pois nem o mais azedo dos sujeitos seria capaz de discutir a importância de alguém que consegue fazer o que ele fez neste país.
Foram dias de verdadeiro velório nacional. Quem não se lembra não imagina como era entrar num onibus segunda-feira de manhã e ver pessoas chorando, do nada, sem um motivo aparente.
Ver as pessoas, ricas ou pobres, na rua com uma bandeirinha nas mãos saudando a última passagem dele, que lentamente, incoerente a sua vida, passava por nós nas avenidas de São Paulo.
Ayrton foi o que jamais tivemos, o que jamais teremos novamente e um exemplo mal aproveitado.
Nos ensinou que não somos inferiores, e que podemos, desde que não aceitemos qualquer coisa. Ensinou, ensinou, ensinou, e poucos aprenderam.
Hoje seria um domingo qualquer. Já sem ele nas pistas, mas, não tão longe de todos nós.
Mas, quis a vida que fosse assim. Talvez para que nos lembrássemos com mais força e saudades deste sujeito especial. Talvez porque ele era demais para o mundo em que vivemos.
Ele se foi, deixou mais do que precisava,  mais do que devia, e uma gigantesca nação de “viúvas”.
Eternamente gratos pelos momentos mágicos de alegria e orgulho aos domingos de manhã, aquelas lágrimas de 1994 não secaram para muitos até hoje.
Sou um deles, admito.
Não terei outro ídolo com Ayrton, porque sua mistura de talento, personalidade, postura e carisma não permitem.  E também porque não serei, nunca mais, um garotinho de 15 anos usando o boné da Nacional e idolatrando um cara que dirige um carro de corridas.
Quando resolvi ser jornalista, há muitos e muitos anos, um dos motivos era poder apertar sua mão.
Mas não deu tempo. Sequer o conheci.
Não importa. Não precisei disso para saber quem era.
Onde estiver, provavelmente no lugar mais alto do pódio, espero que esteja feliz, bem e que receba todo carinho deste povo, que mais de 15 anos após sua partida, ainda lembra de você todos os dias com enorme saudades.
“O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho”, disse Senna, numa entrevista.
E nós dizemos o mesmo, campeão.
abs,
RicaPerrone
Retirado de :  http://www.ricaperrone.com.br/